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Blog de alpasxxi
 


Recado para a Malu

 

Sabes que pessoas como tu são raras, raríssimas?!

 

Tuas ações, tua amizade, tua dedicação e teu afeto humanizam as relações virtuais.

 

A divulgação que tu fazes, sem imediatismos, sem consumismos e demais perniciosos ismos,

é uma atitude que distribui carinhos às pessoas e constrói significados luminosos sobre nossas letras, nossa arte, nossa intelectualidade, enfim sobre todas as manifestações culturais.

 

Através de tuas palavras sente-se tua presença que transmite esperança, otimismo e paz.

 

Malu, és especialísssima, extraordinária!

 

Obrigada pela divulgação das atividades da ALPAS XXI e do Curso Methodos.

 

Espero poder retribuir tua confiança e amizade!

 

Um afetuoso abraço,

 

Rozelia

 



Escrito por alpasxxi às 20h17
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Dicas para visitas:

http://coletaneadeslizesrelizes2008.zip.net

 

http://concursos.alpasxxi.zip.net

 

Publicação de textos gratuitamente: http://alpasxxi.literatura.zip.net

Fotos de eventos ALPAS XXI: http://alpasxxi.nafoto.net

Nadir Silveira Dias convida-te para visitar o

Departamento cultural da OAB de Porto Alegre

SITE: http://www.oabrs.org.br/noticia_ler.php?idnoticia=1705

Clevane Pessoa entrevista Helenice Reis Rocha

http://poietisa.blogspot.com

 

Ouça os  MURMÚRIOS DO MAR  em

http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Murmurios_do_Mar/index.htm
Euclides cavaco
ecosdapoesia@netcabo.pt

 

Veja: Arte e literatura por Andréia Leal

http://www.jornalaldrava.com.br/Doc/conv_portais.pdf



Escrito por alpasxxi às 09h56
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CHASQUE DA CULTURA   Cláudio Pinto de Sá

TOLERÂNCIA  ZERO

 

                   Oba! Aleluia! Exultemos! Viva! Ave! Até que enfim! Agora vai! Junho de 2008 será indelével marca histórica brasileira. Passou meio milênio, mas chegou o grande momento pátrio. Somos agraciados com a Tolerância Zero! Loas aos criadores. Bebeu uma colher de Biotônico Fontoura? Então não dirija. Em tempo algum pense que mais esse milagre da criação mandatária verde-amarelo seja outra fonte de arrecadação. Não. A Tolerância Zero para álcool no sangue, ao dirigir automóvel, é somente para salvar vidas. Aplaudamos a iniciativa. Agora, os índices de acidentes automobilísticos cairão. Milagrosamente passamos a ter respeito, compreensão, calma e educação ao volante. As estradas não apresentam mais nenhum buraco. Finalmente foi desvendada a identidade secreta do bode expiatório. E o nome dele é: comedor de bombom de licor. Este é o perverso. Este é o malfeitor. Xô, satanás. Vá comer bombom de licor no raio que te parta. Que extraordinário momento! E que sirva de mote. Como somos pródigos em imitações e aceitamos placidamente todas as interferências nos usos e costumes brasileiros, imitemos mais uma vez. Macaqueemos e apliquemos esses princípios a nós impostos, ou melhor, aplicados. Vamos, com a Tolerância Zero, finalmente ter uma nação, uma verdadeira pátria amada. Com o desagradável mau exemplo do grande professor Jânio Quadros, desde 1961, com Tolerância Zero, nunca mais o Brasil teve um presidente que bebesse. Que beleza! Que o segundo passo da Tolerância Zero seja direcionado para a arte da corrupção. Certamente ocorrerá isso. Assim, sem bêbados ao volante, já (e há muito tempo) sem bêbado na presidência, e sem corrupção (pois a Tolerância Zero vai aniquilá-la), que se cuidem os traficantes. Cheiro, picada e fumaça estão com os dias contados. O quê vocês estão pensando? Que aqui não tem lei? Aqui, “nesse” país tem lei, sim. E mais: tem Tolerância Zero! Morte na estrada acabou o ciclo. Morte por agentes entorpecentes, acabará ligeirinho, pois a Tolerância Zero vedará toda a fronteira para esses parasitas. E mais, quem for pego sob influência de picada, cheiro ou fumaça pagará uma multa de novecentos paus, e ficará um ano sem se picar, sem cheirar e sem tragar. Violência nas ruas? Deu pra ti, ô baixo astral! Quem for pego assaltando, roubando, seqüestrando, pagará novecentos paus de multa, e ficará um ano impedido de assaltar, roubar e seqüestrar. Porque aqui, agora, tem Tolerância Zero, seus trouxas. Desmatamento e poluição fiquem atentas. Logo-logo a Tolerância Zero pegará vocês. Em fim, um lembrete: tenhamos nos próximos meses Tolerância, não sei em que grau. Vem aí a propaganda eleitoral gratuita. Enquanto isso, vou comer um pouco de sagu. Sagu feito com suco de uva, é claro. Isso, se no bafo do resido da casca da uva não acusar álcool. Não estou a fim de pagar novecentos paus por uma tigelinha de sagu. Ah! Obrigado pela tolerância de ler “esse” artigo até aqui.

cláudio@aymore1952.com.br



Escrito por alpasxxi às 09h56
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Coletânea Deslizes e Relizes

                                

Poeta homenageado: José Moreira da Silva

 

Poesias, Contos e  Crônicas em português, espanhol e italiano

 

 

                Pela excelência de tua lavra literária, convido-te para participar

como co-autor desta Coletânea que divulgará teus textos em diversos países.

 

Após o lançamento, a Coletânea permanecerá on line.

 

 

Informações complementares:

 

                                                                                                           A Coletânea apresenta Ficha catalográfica e ISBN.                               

 

Os autores poderão participar de Sessões de autógrafos

e promover eventos em suas cidades.

 

Os textos publicados nesta coletânea valem pontos para promoção

no magistério público estadual no RGS.

 

Porm favor, Solicite o valor da cota de edição da Coletânea. 

 

alpasxxi@hotmail.com

 

 

ALPAS XXI – Rua Benjamin Constant, 71 – Cruz Alta – RS – 98 005 160

Telefone: (55) 3324 1687

  

 

Os núcleos da ALPAS XXI,

através dos Delegados divulgarão a Coletânea em Lançamentos

 e Sessões de leitura, declamação e teatro no Brasil e no exterior. 

 

 

Núcleos e Delegados da ALPAS XXI - 2007

Porto Alegre - Cláudio Pinto de Sá

Novo Hamburgo - Verena Backes

Rondinha - Nair Stivanin

Buenos Aires - Argentina - Ninah Faraó

Lisboa - Portugal - Maria Penha Floriano

Angola e Moçambique - Vitória Almeida Soya

Berlin - Alemanha - Karl Urd Scheifler

 



Escrito por alpasxxi às 11h17
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PALAVRAS

 

Alcione de Oliveira – Governador Valadares – Minas Gerais

 

No fundo da noite

Na noite inteira

Que regressam  elas

Tornam-se fagueiras

Não queiras sabê-las

Menos  entendê-las

Nem mesmo prendê-las

Revoam dali

E rondam aqui

Turbilhonam mente

Diante meus ais

Junto às questões

(in) existenciais.

 

E desaparecem

Mal  vem  a manhã.



Escrito por alpasxxi às 11h09
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DRAMA

Alcione de Oliveira – Governador Valadares – Minas Gerais

 

 

Que ligação vil

Há entre a lua e o seu quadril

Questão de rima ou

Alguma coisa ruiu

No meu peito no meu leito

Ou aqui na mente

Que agora só sente

Vê e pressente os finais inconseqüentes

Na frase, no texto, na cama

Onde você insiste em dizer que ama

A mim, a si, ao mundo que o chama

Convertendo tudo isso em um drama.



Escrito por alpasxxi às 11h09
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GOLA DE CAMISA

Alcione de Oliveira – Governador Valadares – Minas Gerais

 

Ela tocou na gola da camisa dele

Endireitou-a

Ingênua intenção.

 

Ele sentiu o toque

Na face

Nos cabelos

Na alma.

 

O amor estava a espreitar

Olhar furtivo entre os panos...

 

Um momento de sonho

Doce sensação

Leve sentimento.

 

O amor estava a espreitar

Olhar furtivo revelando enganos...

 

Instante inesperado

Macia surpresa

Entretendo emoções.

 

O amor estava a espreitar

Olhar furtivo relevando danos...

 

Incansável recordação

Lembrança presente

Todo dia

Eternamente.



Escrito por alpasxxi às 11h08
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CHASQUE DA CULTURA   Cláudio Pinto de Sá

 

C O N F L I T O S

                        “Passear” pela INTERNET é um dos passatempos modernos. Pesquisas objetivas, por assunto, ou simplesmente descobrir curiosidades, faz desse meio de comunicação uma forma de se obter cultura na própria casa, escritório, escola, etc. O que segue abaixo foi encontrado desse modo e me foi repassado pela professora Rozélia Scheifler Rasia, de Cruz Alta:

CONFLITO DE GERAÇÕES:

Falando sobre conflito de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:

1)      “Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.”

2)      “Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.”

3)      “ Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.”

4)      “Essa juventude está estagnada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.”

                  Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases. Então, revelou a origem delas:

A primeira é de Sócrates (470 – 399 a. C.)

A Segunda é de Hesíodo (720 a. C.)

A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a. C.

E a Quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia e tem mais de 4000 anos de existência.

                        “O conflito de gerações é normal e a geração que está sendo substituída sempre tenta diminuir as capacidades da que está ascendendo. Porém, toda juventude tem poder de transformação, e deve usá-lo para criar sociedades mais justas.”

                        Lábios, língua, orelhas e outras partes do corpo furadas por metais. Corpo com a tatuagem de Che Guevara. E muita Pure Hemp. Um novo mundo é possível! Quem o fará? Qual o segmento da nova geração o fará? Nesse aspecto, no que concerne ao Brasil, não se trata de conflito de gerações, mas conflito de consciência de pátria. Aliás, amor que não é exclusividade de ninguém.

claudio@aymore1952.com.br



Escrito por alpasxxi às 11h08
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Dados Biobibliográficos de José Moreira da Silva*

Oficial do Exército Brasileiro, na reserva. Advogado. Cronista. Poeta. Ensaísta. Crítico literário. Ativista cultural. Ativo mestre maçom; Irmão Emérito e Mui Emérito, da Loja José de Arimathéa, do Grande Oriente do Rio Grande do Sul. Co-fundador da Loja Maçônica Estrela do Sul da mesma potência maçônica. Deputado da Grande Assembleia Legislativa Maçônica, do Grande Oriente/RS, na qual foi Chanceler e Membro da Comissão de Constituição e Justiça. Nascido em Paudalho, Pernambuco, em 24 de junho de 1927, chegou ao RS no final da década de 50. Aqui estudou e constituiu família. Filósofo por consciência espiritual e humanista por vocação, é um dos maiores estimuladores do associativismo literário, no Estado.

Octogenário, tem extraordinário afinco intelectual e invejável capacidade de trabalho no ativismo cultural. "Está sempre pronto pra pôr o pé na estrada a fim de cumprir tarefas de toda a ordem", diz o seu parceiro de ideais, Joaquim Moncks. Publicou três livros de poesia: Paixão - Fruto Maduro - Infinito. Porto Alegre: Edicom, 1999; Filigranas de Amor. Porto Alegre: Edições Caravela, 2006; Ciclo dos amantes. Porto Alegre: Edições Caravela, 2007. Idealizador e presidente da Academia Literária Gaúcha - ALGA, desde a sua fundação, em 1994, de que é titular da cadeira n° 1, patronímica de Alceu Wamosy. Pertence ao quadro social das seguintes entidades: Grêmio Literário Castro Alves; Sociedade Partenon Literário; União Brasileira de Escritores - UBE/RS (Conselho Fiscal); Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil- AJEB/RS (Conselho Consultivo); Casa do Poeta Riograndense (exerceu a presidência do Conselho Deliberativo durante cinco mandatos).

 Integrou, desde agosto de 2003 até 2006, o Conselho Editorial do Suplemento Literário OFFICINARIUM, publicado no RSLetras. Pertence à Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves, titular da cadeira patronímica de Erico Veríssirno, a partir de 2002. Vice-Presidente do Instituto Cultural Português - ICP, a partir de 2006. Integrante do Grupo 15 Renascidos e co-fundador da Revista CAOSÓTICA (trimestral), desde 2005, que tem por lema "Um NOVO olhar sobre a realidade em que vivemos”. Colaborador dos jornais: RSLetras, desde 1999; Nova Bréscia, “Coluna do Zé”; e Conquista, desde a década de 60. Colaborou ainda nos jornais Tal & Qual e Farol, de Porto Alegre. Tem participação em Prosa e Verso, em cerca de 50 coletâneas. Reside em Porto Alegre/RS Brasil.

 

* Dados enviados em 20 de Junho de 2008 por "António Filipe Neiva Soares" afnsoares@yahoo.com.br

Texto publicado no BLOG: http://coletaneadeslizesrelizes2008.zip.net



Escrito por alpasxxi às 11h07
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Mini-currículo

Mineira, de Belo Horizonte. 29 anos, casada com Gabriel, um amor de Poema. Graduanda em Psicologia pela Universidade FUMEC – Fundação Mineira de Educação e Cultura. Empresária, sócia-proprietária da Semear Saúde - Consultoria e Soluções em Qualidade de Vida no Trabalho, onde atuo na elaboração, apresentação, implantação e coordenação de Projetos de Soluções em Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e gestão de pessoas. Desenvolvo Projetos, um dos meus hobbies prediletos, e o primeiro deles, “Caminhos do Viajante - Estrada Real: Programa de Desenvolvimento de Lideranças” foi aprovado pela MRG Consultoria e Treinamento Empresarial Ltda, com matriz em Belo Horizonte e filial no Estado da Bahia. Em 2007, Idealizei e coordenei o Evento “Poesia é Ouro”, onde houve a comemoração dos cinqüenta anos de Poetiza da autora Clevane Pessoa de Araújo Lopes. O nome “Poesia é Ouro” foi devido a Bodas de Ouro Literária da autora. Algumas de minhas poesias e textos encontram-se no site www.recantodasletras.com.br e www.infonet.com.br/direitoepoesia/poesianossacadadia. O Projeto de um livro próprio está em andamento, mesclando minhas poesias mais antigas e mais atuais, mesclando os sentimentos de outrora e de agora.

Contato: karinadivulgcultural@yahoo.com.br, www.semearsaude.com.br

 

Karina Araújo Campos

05 de abril de 2007.

Belo Horizonte / MG

 



Escrito por alpasxxi às 19h33
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O PRIMEIRO SAPATO

  

Karina Araújo Campos

Destaque literário no Concurso Letras Premiadas Alpas XXI – Edição 2007

 Estrelas no céu. Milhões de estrelas no céu.

Já passara a metade da noite e a estrada estava deserta. Estrada estreita, terra fofa, o clima ameno. Ainda não serenara. Uma poeira de luzes pisca no ar qual lanternas a alumiar a noite. Belos vaga-lumes, estrelas cintilantes, habitantes da Terra.

A sinfonia dos grilos, das cigarras, dos sapos ecoa da mata nos arredores desta estrada. Gigantescas árvores abrem frestas para que a lua e as estrelas sejam bússola aos andarilhos.

Um uivo rasga a noite e cala a orquestra dos bichos.

Ele não se assusta. Continua sua caminhada na calmaria dos anciãos.

Pés descalços, rachados, acostumados às erosões, calos duros, guiados pela experiência, levados pela rotina daquela estrada. Bela estrada!

Para onde o levaria?

Calças arregaçadas, esgarçadas, cerzidas, mas limpas. Camisa desbotada em tom de palha, quarada pelo sol.

Rosto calmo, franzido pelas rugas da idade, pelos anos de luta, de busca. Um cachimbo no canto da boca, com um jeito único de fumar: ele o mascava.

Devagar, pé ante pé, uma de suas mãos segurava o cachimbo, a outra o cajado.

Aos setenta e dois anos, o Senhor Galadriel percorria este caminho. Voltava da fazenda do “Grande Senhor” para seu casebre.

Andava freqüentando a escola para aprender a assinar o nome. Não queria mais registrar o polegar. Achava importante aprender a escrever o próprio nome. Embora quase o esquecesse diante de ser tratado sempre por “Seu Driel”.

Representou por toda sua vida o significado de seu nome: ser bom diante de Deus. Não bastasse, seu sobrenome era “dos Santos”.

Freqüentava a Igreja Nossa Senhora das Dores no lugarejo de Pedra Negra, aos domingos e dias santos.

Seu Driel ia e vinha naquela estrada por tantos anos. Por tantos anos sempre descalço.

Calçou no dia do seu casamento com a falecida Zinha um par de chinelos de borracha amarelos e no paletó branco que foi de seu avô usou um cravo colhido do quintal. Seu sorriso iluminado ainda tinha a dentição. Hoje lhe restam poucos dentes, mas o sorriso da boca que masca o cachimbo ainda é iluminado.

Seu Driel caminha. Anda guiado pelos pés descalços. Os pés que conhecem cada pedra, cada cascalho, cada grão de areia daquela estrada.

 

Zinha, que foi seu primeiro e único amor engravidou pouco depois de se casarem. Em seu humilde lar explodiam de alegria.

 Seu Driel pegava a estrada cantarolando, venerando a chegada do filho. Sempre vaqueiro, cuidava dos bichos como cuidava de Zinha. Cheio de zelo, amor, carinho...

O curral era seu lar durante o dia. À noite, os braços de Zinha.

Os meses se passaram e numa noite Seu Driel foi chamado pelo capataz da fazenda às pressas. Era Zulmira, a vaca holandesa que dava cria. Emprenhou precocemente do garrote Zeus. E lá se foi Galadriel, andando a passos gigantes, pés apressados para ajudar Zulmira a parir o bezerro. No chão a coitadinha não agüentava mais de dor e acalmou-se ao ver seu zeloso cuidador.

Sofreu. Sofreram. Os três. Sofreram muito.

A vaca Zulmira, Seu Driel e Zinha.

Enquanto Seu Driel ajudava Zulmira, Zinha desfalecia-se em dores do parto. Só. Gritava e gemia a vinda dos bebês. Eram gêmeos. Nas redondezas só os bichos a ouviam. Gente mesmo não estava a menos de um quilômetro dos diâmetros de sua casa.

 

Deitada, agarrava com as unhas os lençóis úmidos de sangue, suor e nada da chegada de Driel.

Urrava como onça presa em caverna.

Fez muita força e, enfim, nasceu o primeiro dos bebês.

Zinha olhou naquele rostinho que lhe sorriu como primeiro ato terreno.

Branca, pálida, sem forças, suspirou e caiu para trás. Não voltou mais à vida. Nem com a chegada do marido algumas horas depois.

Seu Driel desesperou-se, desesperançou-se.

Viu seu filho nas entranhas da mãe, ambos imóveis.

Chorou de tristeza. Chorou de alegria.

Tomou todas as providências para o velório de Zinha e seu segundo filho, que ia no ventre da mãe.

 No filho vivo pôs o nome de Samuel, o mesmo nome do bezerro de Zulmira e Zeus.

 O dono da fazenda mandou entregar a Galadriel uma caixa no dia seguinte.

Envolta de laço azul, Seu Driel desfez calmamente cada volta da fita. Abriu a tampa, apalpou todo o papel de seda. Desembrulhou o presente. Era um belo par de sapatos italianos, bico quadrado, preto, envernizado.

 No fundo da caixa um bilhete escrito com letra firme:

 - Caro Galadriel,

 Envio os sapatos para que te sintas bem.

Nada melhor que um par de sapatos quando perdemos o chão.

Embase-se neles.

Condolências,

 Francisco Nonato.



Escrito por alpasxxi às 19h32
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(Continuação)

 Aos vinte e sete anos Galadriel recebera os primeiros sapatos de sua vida. Usou-os no velório e no enterro. Chegou em casa, limpou-os, lustrou-os e guardou-os novamente.

 Os anos foram passando. Seu filho Samuel crescia. O bezerro também. Antes que Samuel se tornasse um rapaz, o bezerro Samuel tornou-se garrote.

 Sempre amigos. Samuel, o pai e o garrote.

 Ainda hoje, Seu Driel abre a caixa de sapatos somente para cuidá-los. Não mais o calçou.

Aos setenta e dois anos embasa-se na sola dos próprios pés. Não mais calçou sapatos. Anda com pés no chão. Calçado de sua própria segurança. Do coração que pulsa em seus pés.

 Seu caminho, sua estrada sempre o levam para casa.

 Mas no caminho, além das vozes dos bichos, ouve-se também o sorriso de Zinha.

Um sorriso que as estrelas, o céu, as árvores respondem nos balançar dos ventos, na voz da noite.

 E ele caminha, deixando suas pegadas na terra fofa, ecoando sorrisos que enlaçam os sorrisos de Zinha.

 

O PRIMEIRO SAPATO - Karina Araújo Campos



Escrito por alpasxxi às 19h31
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Agradeço, com alegria, aos

 

autores que doaram exemplares de

 

Palavras de abril

 

Para o Memorial da Cultura - ALPAS XXI e para divulgação em instituições culturais, como

Escolas, Universidades e Embaixadas.

 

 

Ilda Maria Costa Brasil

Asher G. Brum Pereira

Alba Pires Ferreira

Salete Rasia

Márcia Ivanovich

Antonio Francisco Cândido

 

A edição de Palavras de abril está esgotada.

 

Abraços,

 

 



Escrito por alpasxxi às 17h40
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MUNDO DA “GENTE”!

 

David Iasnogrodski – escritor, engenheiro, administrador – david.ez@terra.com.br

Sou filho igual a muitos.

Igual é um termo muito amplo. Não somos iguais e sim semelhantes...

Passei dos 20 anos.

Mais precisamente 28, ou seja mais perto dos trinta do que dos vinte antes referido. Não é verdade? Será que ter vinte anos de idade é melhor do que trinta? Uma boa pergunta... Ainda pensarei muito neste assunto.

Num belo dia de verão, quando tinha 26 anos , tive o seguinte diálogo com meus pais, junto do almoço:

 

- Vou sair. Vou pegar minha mochila e vou embora. Aqui está muito difícil. Prefiro viver sozinho, mas num outro país...

- Puxa, meu filho, vais nos deixar? Indaga meu pai

- Sim. Resolvi. E vou...

- Pensaste bem? Indaga minha mãe.

- Sim. Resolvi. Está bem pensado. E é amanhã...

- Amanhã. Pela manhã. Já tenho até a passagem. Se vocês acharem interessante, e eu gostaria que achassem, poderiam me acompanhar até o aeroporto.

- Certo. Estaremos lá. Diz meu pai.

 

E assim aconteceu.

Fui viver a vida.

Num país longínquo.

Fui “encarar” o mundo...

O tempo passou.

As dificuldades apareceram, mas driblei-as...

Fui trabalhar num lugar onde não gostava muito, mas...

Logo sai e recebi uma oportunidade de um trabalho noturno. Sim, trabalho noturno...

Enfrentei, pois era diferente para mim, mas consegui vencer as “agruras”. Tinha que dormir durante o dia. Foi difícil. Muito difícil, mas consegui enfrentar mais essa dificuldade. Mas o que não é dificultoso não tem graça... Não é verdade? Ou pensam o contrário?

 

O tempo foi passando...

 

Ganhei e poupei algum dinheiro.


Até que...

- Pai, aqui é o Marcelo.

- Oi filho, tá bem?

- Sim. Tenho muita saudade, mas tenho uma grande novidade a falar.

- O que? Fala logo...

- Gostariam de me visitar?

- Claro que sim. Mas como? Aqui continua muito difícil. As coisas continuam, realmente, muito difíceis. Não mudaram desde que você partiu. Não temos o dinheiro suficiente para realizar “tal proeza”. A proeza de visitar você.

- Estou perguntando, novamente, se gostariam de me visitar.

- Claro, volto a dizer. Claro... Mas a realidade é aquela...

- Bem, então está na “mão”... Consegui, com meu trabalho poupar e estou convidando um de vocês para  passar alguns dias comigo. Infelizmente, no momento só posso convidar um de vocês... Tudo por minha conta: passagem e estadia.

- O que? Estás brincando?

- Não estou brincando. Estou falando sério. Bem sério... É um convite de um filho a seus pais. Pena que não posso trazer vocês dois. Seria o máximo...

- Quando?

- Quando vocês acharem melhor... Vocês vão se escolher. Talvez até no “par ou impar”, quem sabe?

Todos riram e choraram...

 

O tempo novamente passou.

 

Entre o pai e a mãe, ela foi a escolhida. Não sei como...

Marcada a data, chegou a passagem e Fernanda embarcou.

Lépida e faceira, mas um pouco nervosa. Nunca tinha andado de avião e nem saído do seu país, mesmo de ônibus...

 

Foi uma festa na chegada.

Esperei junto com meus amigos no Aeroporto. Queria apresentar a todos minha mãe... Foi uma festa. Alegria e choros, mas isso faz parte de todas as festas...

Passou vários dias comigo. Conhecemos tudo, ou quase tudo...

Foi um “programaço”..., assim me expressei junto a todos os meus conhecidos.

Alegria geral...